Influencia de Guilerme de Almeida na Comunidade Japonesa
A influência de Guilherme de Almeida na Comunidade Nikkey
Guilherme de Almeida quando assumiu o cargo de presidente da Comissão Executiva de IV Centenário de São Paulo reuniu todas as comunidades imigrantes para comemorar o aniversário da Fundação de São Paulo em 1954. O poeta deu o seu parecer de que era oportuno criar uma sociedade cultural que catalisasse todos os povos.
Nisso, Goga, repórter do jornal Paulista (diário bilíngue em japonês e português) que também gostava de Haicai, indagou se a Comissão aceitava doações da comunidade japonesa. Isso originou uma série de reuniões.
A comissão da comunidade japonesa, já criada, tinha definido uma série de realizações para o IV Centenário. A primeira realização seria Construção do Pavilhão Japonês. Para essa realização tudo seria feito no Japão, desmontado e trazido ao Brasil.
O Pavilhão foi montado no Parque do Ibirapuera, sem nenhum prego e as pedras e pedregulhos ornamentais do jardim foram colhidos em Kyoto. Foi inaugurado em 06 de setembro de 1954, com a presença do governador Lucas Nogueira Garcez, do Guilherme de Almeida e autoridades brasileiras e japonesas.
A repercussão dessa força mobilizou entre os nipo-brasileiros e originou duas entidades:
- Aliança Cultural Brasil e Japão;
- Sociedade Paulista de Cultura Japonesa;
Criação da Aliança Cultura Brasil Japão (ACBJ)
A criação da ACBJ, sociedade civil, sem finalidade política e econômica, com o objetivo de desenvolver o intercâmbio cultural entre os dois países, realizou-se em 17 de novembro de 1956. Esse evento aconteceu no Pavilhão Japonês do Parque Ibirapuera com a presença de Consul Geral do Japão, Sr. Yoso Izono, além de membros da comunidade japonesa e da sociedade paulista.
Guilherme de Almeida foi escolhido para presidir a sessão. Com a fundação da ACBJ, Kiyoshi Yamamoto ofereceu um donativo para as primeiras despesas, e também, foi noticiado que seria aberto de imediato vagas para o curso de japonês. Neste ato de fundação estavam presentes 19 japoneses e 12 brasileiros.
Guilherme de Almeida que admirava a cultura e a literatura japonesa, foi eleito, nessa mesma sessão, o primeiro presidente da entidade e teve como vice-presidente Kiyoshi Yamamoto.
No dia 23 de novembro de 1959, a cerimonia da Aliança Cultural Brasil Japão se deu no salão Nobre do Pavilhão Japonês do Ibirapuera. Nessa cerimonia, foi entregue à Guilherme de Almeida a Condecoração da Ordem do Tesouro Sagrado. Na ocasião, o deputado João Sussumu Hirata, representando da Assembleia Legislativa de São Paulo, em seu discurso, em homenagem a Guilherme de Almeida, chamou atenção ao fato da poesia japonesa ‘‘haicai’’ de ser uma poesia curta de muito gosto do homenageado e que o desenvolvimento da intuição japonesa não teria sido possível sem empenho do homenageado e também referiu com euforia o fato de Guilherme de Almeida ter sido Príncipe da Poesia Brasileira.
Guilherme de Almeida presidiu Aliança Cultural Brasil Japão até 1959, quando foi sucedido por Kiyoshi Yamamoto.
Guilherme de Almeida deu valiosa contribuição para a difusão da cultural japonesa no Brasil.
A pesquisa de poesias onde procurar poesias de múltiplas facetas levou Guilherme de Almeida ao caminho de busca de formas mais concisas como a modalidade de poesia oriental – o haicai japonês. Isto fez a aproximação do poeta à comunidade japonesa.
Haicai é como os japoneses chamam de poema curtinho, de apenas três versos, exemplo:
A insônia (de Gulherme de Almeida)
“Fura a terra fria,
No fundo, embaixo do mundo
Trabalha-se: é dia.”
Pela segunda metade de década de 1930, Kozo Itigê era Cônsul Geral do Japão em São Paulo. Era casado com uma senhora francesa de nome Marie Itigê. O cônsul era uma pessoa de alta cultural, poeta e falava francês. Ele conhecia os primeiros haicais do poeta Guilherme de Almeida e então o convidou para um jantar afim de conhece-lo e conquistar um poeta de renome e fazer dele um cultor de haicai. Isto resultou em levar Guilherme de Almeida a um clube de poesia haicai no bairro da Liberdade na cidade de São Paulo. Nesta primeira vez, Guilherme de Almeida participou em companhia do cônsul que traduzia a conversa dos japoneses para francês. Nessa reunião estavam vários poetas japoneses que cultivavam o haicai e eram de várias profissões desde comerciantes a agricultores e o tema foi: “brisa da primavera”. No final da reunião, o haicai vencedor foi:
“ A saia de lã pesada
Da pequena colegial
Brisa da primavera!”
Isso encantou Guilherme de Almeida que procurou fazer haicai dos poemas portugueses. Foi o grande passo para Guilherme de Almeida entrar nessa cultural da poesia japonesa.
Guilherme de Almeida, um romântico entre os haicaistas, fez uma escola: haicai Guilhermino que representa um encontro da cultura ocidental com a outra cultura tradicional japonesa.
O poeta teve, também, um significado na participação em projetos para a integração dos dois povos.
Em abril de 1975, a Aliança (ACBJ) absorveu a sociedade de Difusão da Cultura Nipo-Brasileira. As atividades foram reconhecidas pelo governo japonês no ano de 1991, com o título “Gaimu Daijisho”, o prêmio do Ministro das Relações Estrangeiras do Japão.
Em 1988, com a colaboração da Editora Oriento e da ACBJ foi publicado “O Haicai do Brasil”, livro que desvenda os caminhos do haicai no Brasil.
Em 1993, o ACBJ organizou os 450 anos de chegada dos portugueses no Japão.
Em 1995, comemorou 100 anos do Tratado da Amizade Brasil-Japão.
Em 2006, festejou 50 anos de sua existência, promovendo curso de japonês, português para japoneses e curso de artes.
Em 2008, participou dos Festejos, data dos 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil.
A ACBJ tem prestado muito serviços à população, incluindo-se a publicação de livros.
FIM...
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