MINHA VIDA

Ao ler o livro que o meu amigo, Flário Próspero, me ofereceu no almoço das turma de formados (mecânico 1966), nasceu a curiosidade de escrever sobre as minhas viagens pelo mundo em busca de conhecimentos e de cultura dos povos diferentes de onde nasci, sou amazonense, nasci em Parintins-AM, e com cerca de 30 dias meus pais me levaram para Breves no estado do Pará, para atender a Companhia Amazonense da qual era funcionário, para difundir a cultura da juta no Pará.

Meu pai e mais três funcionários se dirigiram a Breves no navio Benjamin que era conhecido como Jaboticaba, onde foram bem tratados, na 1ª classe. Inicialmente foram só os homens até construírem suas casas. Pensavam que estavam fazendo um bom negócio para suas finanças, mas o local (Breves) que o Governo do Pará designou sofria influência das marés.   Quando a maré subia e baixava levava toda a semente já plantadas além da malária (doença transmitida por mosquito muriçoca quando sugava o sangue das pessoas). Foi um período muito difícil, e como resultado, a Cia. os chamou de volta a Vila Amazônia, no município de Parintins, onde ficava a sede da Companhia.

Mas o meu pai e o responsável, sr. Oti, foram procurar terras onde poderiam cumprir o contrato da Cia. com o Governo do Pará. Localizaram, depois de muita procura, nas várzeas de Santarém (Pará), como local ideal.

Em Santarém, meu pai no final foi nomeado como gerente da produção de juta. O seu chefe, sr. Oti, que era gerente, foi designado como gerente de Manaus e o elemento da 1ª turma, sr. Ida, não se dispôs a visitar os locais dos roçados em canoas a vela. Assim meu pai foi designado como gerente.

Veio a 2ª Grande Guerra e o Japão era contra o Brasil. Daí meu pai teve que pedir demissão do cargo e foi trabalhar plantando juta, como muitos que deixaram a Vila Amazônia e vieram ao Pará, na várzea do município de Santarém, onde plantaram juta, evitando ser presos.

Nesse período meu pai foi também obrigado a deixar a gerência em Santarém, com ajuda das autoridades de Santarém para conseguir terreno, e foi plantar juta para não ser preso. Foi incialmente ao local chamado de Cabeça D’onça, onde fez o maior roçado, mas ficou somente um ano ao invés de dois anos, que no 2º ano tem maior lucro, a pedido dos donos do terreno, e teve que se mudar, e foi a Aritapera, onde fez grandes amizades. Nesses dois locais na várzea ficavam no município de Santarém. Em seguida, mudou para a Ilha do Carmo (em três locais) no município de Alenquer. Sempre a procura de terrenos para o cultivo da juta (todos os locais eram nas várzeas). Nessas mudanças sempre segui com a família e ouvia seus conselhos.

No terceiro local da Ilha do Carmo, com terreno maior, ocorreu a maior enchente do rio Amazonas, em 1953/54, quando teve grande prejuízo, não somente o sr. Ikegami, como todos os ribeirinhos.

Os que puderam, mudou de profissão, a nossa família se mudou para a cidade de Alenquer que fica na margem do rio Surubiú (?) mais conhecido como igarapé de Alenquer.

Na cidade de Alenquer, depois de fundar o comércio, cresceu financeiramente, em sociedade como comerciante da cidade, podendo dar educação escolar a todos os filhos.

Meus pais, bem depois, quando aposentados, mudaram de Alenquer e deixaram os seus bens entregues ao segundo filho, Jonas, já casado com dois filhos, para ir a Belém, capital do estado do Pará, devido ser mais fácil obter atendimento médico e hospitalar. Mas sempre me aconselhava a estudar para ser alguém na vida e ser respeitado. Meu pai costumava, também, me aconselhar a ouvir os mais velhos e fazer amizades.

Deixei minha casa segura, para estudar. Com 10 anos de idade fui estudar em Santarém até o meado do primeiro semestre do terceiro ano primário, morando na casa do Guilherme, meu padrinho de Crisma. No segundo semestre, meu pai me levou a Alenquer para concluir o terceiro ano e terminar o primário estudando no grupo escolar Fulgêncio Simões, morando no internato da professora Carolina. Voltei a Santarém para fazer o curso ginasial no Ginásio Dom Amando. Terminado o ginásio, tive que ir a Belém estudar o Curso Científico, para fazer o curso de engenharia. Em Belém, tive que trabalhar durante o dia e estudar a noite.

Por amizade, peguei o avião da FAB e vim a São Paulo para estudar engenharia. Consegui entrar na Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), em 1962. Matriculai-me no curso de Engenharia Mecânica de Produção por ser possível na classificação da nota do vestibular (a escolha do curso tinha que ser realizada na matrícula por ordem de classificação no vestibular). Durante o curso de 5 anos, fiz todos os estágios, conforme a exigência da escola e me formei em 1966 (1962 – 1966).

Principais empregos como engenheiro:

- Camargo Correa (1º emprego, onde fiquei 7,5 anos)

- Servix Engenharia (2º emprego, 12 anos)

- Eletropaulo (1884 – 1995, com muitas licenças)

- Tenenge – Técnica Nacional de Engenharia (5 anos - comprada pela       empresa Odebrecht)

Como consultor:

- Sakura Nakaya (3 anos)

- CMTC (4 anos)

- Secretaria de Saúde de S. Paulo (1 ano)

- Agroindústria Palmasa (3 anos)

No último ano da Faculdade, viajei pela Europa para conhecer as fábricas durante quase 3 meses, nas férias escolares do 4º para o 5º, e conheci vários países e cidades onde situavam as fábricas.

Durante os empregos viajei repetidas vezes por exigência das empresas. Conheci quase todos os estados brasileiros, onde as empreiteiras Servix e Tenenge tinham obras, e também, nas obras da América Latina, nos países Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Paraguai. Nesse período, tive também que viajar aos EEUU em busca de tecnologia para construção de Casa de Força de hidroelétrica.

A maior obra que participei foi a hidroelétrica de Sobradinho, em Juazeiro na Bahia, durante o trabalho na Servix Engenharia. Para essa obra, levei um computador para ajudar na obra.

Durante o trabalho na Camargo Correa aprendi muito. Fiz poucas viagens às obras, mas aprendi liderança e responsabilidades. Fiz pós-graduação, vários cursos e visitei muitas empresas, quando conheci pessoas de todos os níveis. Fui a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo várias vezes e conheci o Secretário que nos ensinou como emitir, pelo computador, a Nota Fiscal, no advento do ICMS, e também procurei me auto conhecer, para seguir os paços futuros.

Como Professor Universitário:

- Universidade Santa Cecília, em Santos (1975 – 1984),

- FAAP - Pós-graduação (por 2 anos),

- Fatec-SP (1983 – 2009).

Na Universidade Santa Cecília, onde comecei a dar aulas de Segurança do Trabalho, depois de concluir o curso de Segurança do Trabalho na Faculdade de Higiene da USP.  Nas aulas tinha sempre a sala cheia e muita participação dos alunos. Gostei de dar aulas. Depois, criaram o Curso de Civil, e continuei a dar aulas, a pedido, nesse novo curso, de Segurança do Trabalho, planejamento de Obras e noções de Informática.  Quando pedi demissão, eu já era Chefe de Departamento.

O curso de Segurança do Trabalho na Faculdade de Higiene da USP foi uma solicitação da Diretoria da Servix Engenharia por ser uma empreiteira de obras, e precisava de Engenheiro de Segurança do trabalho.

Durante o período na CMTC fui professor de pós-graduação na FAAP por 2 anos e comecei a dar aulas no curso da Fatec-SP em substituição ao Diretor Administrativo a quem estava subordinado na CMTC. Em 1983 fui admitido na Fatec-SP como Professor Assistente. Até essa época participava de todos os Congressos de Informática, no Rio de Janeiro, e no fim de semana, convidava a esposa e filhos para passar juntos no Rio.

Na Fatec-SP, fiz carreira de professor universitário após me aposentar da Eletropaulo, em 1995, procurei crescer como professor e cheguei como   Professor Titular. Candidatei a Chefe de Departamento e fui eleito. Depois de ser eleito Chefe de Departamento, participava nas Congregações, e fui também, escolhido como Chefe do curso de Pós-Graduação de Informática que tinha o objetivo, com o lucro, manter professores fora do País, fazendo Pós-Graduação. Depois de Chefe de Departamento, fui designado como Diretor da Fatec-SP, na área de Relações Empresariais para cuidar de estagiários em número de 900 alunos. Deixei a função de chefe de Pós-graduação quando me aposentei, em 2009, com 70 anos.

Durante professor da Fatec-SP, fiz o 1º Congresso da Fatec-SP. Esse Congresso se realiza todos os anos, pela sua importância. Criei, também os cursos extras de informática, quando Chefe de Departamento, para atender os Diretores de Empresas que solicitavam para facilitar o emprego dos alunos (com muito sucesso).

Depois de me aposentar da Fatec-SP, procurei viajar com a esposa ou em grupo. Passei a visitar os locais já conhecidos como os estados do Brasil, Chile, Peru, a Europa e conhecer a Ásia. Viajei por Japão (3 vezes), China, Coreia do Sul, Dubai, Vietnã do Sul e Norte, Camboja, Bangkok, Cingapura, Israel, Jordânia, Turquia, Irã, Armênia, Geórgia, Azerbaijão, Índia, Nepal e na Europa, além dos países conhecidos, visitei a República Checa (Praga), Hungria (Budapest) e, na América Central, o canal de Panamá e o México.

Participei, também, depois de aposentado, em diretorias de duas empresas da comunidade japonesa, por 8 anos.

Continua a fazer esporte físico e gosto muito de pescar, encontrar os amigos e conhecer pessoas.

Com a idade avançada, tenho me dedicado a escrever livros e blogs, estudar, fazer exercícios, pescar em rios e cumprir os compromissos, embora cada vez mais perco a audição. Mas sempre seguindo as orientações que meu pai me deu.

Sou respeitado, casado há 58 anos com a mesma esposa. Não sonho em realizações, como no passado, e exploro a minha idade com sabedoria e experiência, cheio de prazeres. Sou despreocupado e feliz, não precisa lutar. Chego a idade avançada com vida mais pacata, cheio de amor e alegria.

Costumo dormir às 23:00 horas e acordo, normalmente, às 7:30 horas, faço minhas obrigações matinais, vejo meu celular e leio o jornal Estadão, pela manhã. Meus encontros, normalmente, nos almoços, e minhas reuniões compareço com muita assiduidade para encontra os amigos e fazer novas amizades.

Comentários

  1. Senhor Antão. Fiquei muito feliz ao ler sua rotina e conhecer um pouco mais da sua vida e rotina, o Senhor é um exemplo para mim. Admiro sua garra, alegria de viver, felicidade, vontade de ser feliz e fazer o que gosta. Que o Senhor siga nos inspirando cada dia mais

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas